"Ser é Escolher-se" Jean Paul Sartre

Não sei se criei este blog para me fazer entender ou apenas para ter algo que me obrigue a terminar os textos que começo. Fico a meio caminho de tudo, mas ao menos, conheço os caminhos que posso seguir se quiser.

sábado, 12 de março de 2011

Cara a cara

Enfrentar a vida, cara a cara, pelo que ela é. Amá-la, pelo que ela é. E deixá-la ir, às vezes, pelo que ela é.
Mudá-la por aquilo que (não) é, buscá-la, questioná-la, vivê-la, repeti-la e às vezes detestá-la.
Quando o que é preciso está por perto sabemos que sim, que estamos a viver, a nossa vida, o nosso reflexo, as nossas escolhas parecem quase que perfeitas e não mudaríamos um só pormenor, quando não, tudo parece estúpido, e ridículo, insuficiente.
Tudo o que fica por dizer e por fazer, é aquilo que faz mais falta.
Mas triste é quando algo termina sem que se sinta saudades, quando não se recorda uma só coisa que valesse a pena reviver, quando não se imagina uma coisa que pudesse (ou quisesse) ser vivido, esse vazio, essa falta de conteúdo, isso é triste, não a saudade.
A saudade tem um toque de alívio, de que algo se teve, de que se tem, de que se tem algo cuja ausência é insuportável. Sim, ter saudades passa por ter um medo de nunca mais ter o que se sente a falta, e ter medo, às vezes é bom, porque significa que temos alguma coisa a perder. E ter alguma coisa a perder é por si só, ter alguma coisa que vale a pena, e quando isso acontece, tudo passa a valer a pena também.
Ha pessoas que fazem o sangue voltar a correr nas veias quando este parece ter parado, algumas até fazer o coração bater de novo, conheci muitas dessas, e todas elas, ainda correm nas minhas veias, ainda me pertencem e eu a elas. E ainda há outras, outras que simplesmente se entranham na própria carne, que nos são o sangue, osso, pele e alma,que estão nos nossos movimentos, pensamentos e emoções, que já fazem parte de nós, trivial e também profundamente.
São essas que desbravam partes de nós que não conheciamos, são essas que genuina e realmente nos mudam, são essas ficam, e cujas saudades não duram anos, mas duram para sempre.
São essas as com as quais vivemos não só o que sabiamos que iamos viver, o que queiamos viver, mas aquela parte da vida que não faziamos ideia que ia ser parte da nossa vida, a parte da nossa história que, quando contamos, quase nem sentimos como nossa, aquilo que não foi suposto, nem desejado, aquilo que nos aconteceu.
Enfrentar a vida,cara a cara,frente a frente, para o que der,vier e mudar,é a unica coisa, que nunca,até ao fim dos nossos dias, poderemos alguma vez deixar de fazer.
De resto, vale tudo. De resto,nunca se sabe.