"Ser é Escolher-se" Jean Paul Sartre

Não sei se criei este blog para me fazer entender ou apenas para ter algo que me obrigue a terminar os textos que começo. Fico a meio caminho de tudo, mas ao menos, conheço os caminhos que posso seguir se quiser.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Maria


Maria era bailarina profissional. E era assim que seguia a sua vida, sempre no seu próprio mundo e concentrada nos seus movimentos mas nunca deixando de seguir a música que a rodeava no momento. Rafael era diferente. Rafael ora impunha e sobrepunha os seus movimentos à música, ora se limitava a guiar levemente por ela sem a contrariar uma única vez. Foi exactamente isso que talvez, os fez apaixonarem-se. Não foi uma história de amor, talvez pudesse ter sido, mas começou tarde demais para o ser.
Por fracções de segundos, às vezes, o movimento não encaixa na música e toda a dança perde o sentido.
Entre espetáculos e bailarinas, cenários, máscaras, e maquilhagens, Rafael parecia ter descoberto um novo mundo. Antes diziam que eram fadas na vida um do outro, agora, Maria mantinha-se como uma sombra que o acompanhava quer ele quisesse que não.
Maria sentia-se em luto, num luto de sonhos e ilusões, de ideais que colocara em alguém de tal forma que este se tornavam reais. Sentia-se como que na coreografia ideal, na qual acreditava de tal forma que os passos de dança lhe brotavam no corpo sem esforço, mas que, por alguma razão, simplesmente não conseguia dançar.
Encharcada da chuva lá fora, Maria abre a porta de casa e corre para uma caixinha de madeira em que prometera guardar as memórias de si e de Rafael, em que acabava sempre por não guardar nada, quer dizer, nada material, porque muitas vezes abria a caixa e falava com ele em voz baixa, guardava a sua voz nela e mantinha-a junto à janela, para nunca se esquecer de nada. Maria gostava de ir, gostava de partir, muito mais do que chegar e claramente mas do que ficar. Ela decidira que não tinha escolha, ía embora, não suportava mais ser sombra e reflexo de si mesma. Precisava de ter para si mesma uma resposta a toda a superficialidade que agora ele representava, uma resposta ao fim que ele escolhera para ambos. Precisava de fazer o seu luto.
Abriu a caixa e entreabriu a janela, a chuva encharava o chão da casa e anoitecia. Quase inaudivelmente, Maria sussurrou:
“Tenho o hábito de continuar a falar contigo quando já estás debaixo de terra, fechado num caixão, enterrado por ti mesmo, sem levares contigo um único pedaço de nós. Desisti de te levar cartas e flores, desisti de pensar que por uns segundos, vais querer abrir o teu caixão e deixar-me falar contigo, e ouvir-me. Foi a tua escolha.
E eu, eu não tenho escolha, não há escolhas quando há morte, só falsos ponto de fuga. A única escolha é fazer-te luto, perceber e aceitar que já não ouves nem falas, que já não te vais mover mais dentro de mim, é saber que não vai haver outro toque, o toque da tua mão e o seu ritmo diferente, um ritmo que passa directo da minha própria pele para a minha alma, que nos faz ter o mesmo ritmo e ouvir o mesmo som, ver as mesmas cores, e o mesmo mundo, o nosso mundo, que não foi ainda enterrado porque eu não quis que o arrastasses contigo, esse toque alimenta-me, sustenta-me, mantem-me, e esse toque chega-me. O ritmo do teu toque chega a mim pelos ouvidos, pelo tacto, pelo olfacto, pela visão. O ritmo do teu toque é o ritmo ao qual eu gosto de dançar. Mas os mortos não dançam. Tu já não danças comigo.
Aprendi a aceitar e respeitar que já não estejas, a aceitar o teu silêncio, a aceitar a tua morte voluntária em mim.
Nunca achei que o amor precisasse de lutas, não se luta por amor: ou há, ou não há.
A dança, no amor, é aprender a conhecer o ritmo um do outro, e saber como acompanhá-lo, saber de repente mais do outro do que ele sabe de si próprio, e descobrir que ele conhece de nós algo que desconhecíamos.
Não há coreografias, só se dança, só se ama sem ser preciso passos nem tempo certos, jogos de se fazer interessante ou de medir forças, teimosias, ou poderes, cânones ou efeitos. Tu sempre quiseste criar as nossas coreografias.
Eu sei que gostas de mim Rafael, porque eu nunca tinha desistido de ti, porque eu acreditava incondicionalmente em ti, porque eu gostava, realmente de ti e nós gostamos de quem gosta de nós, porque somos escolhidos para ser gostados e ser-se escolhido é bom, ser-se gostado também.
A minha ilusão sobre nós foi o meu erro, não o teu. Não te posso atacar a ti pelo meu erro, pela minha incapacidade de discernir o passado do presente do futuro, de ver tudo num só, numa miscelánia bem pura a que chamo verdade. Queria não dramatizar mas não consigo, sou uma bailarina. Já não nos vês, já não nos ouves, já não nos sentes. Eu vou fechar o teu passado e a minha ilusão nesta caixa, é o mínimo que posso fazer, para conseguir fazer o teu, e o nosso luto.
Adeus, e até ao dia em que nos devemos voltar a encontrar.”

Abriu um pouco mais a janela, e deixou por ela cair a caixa que tinha em mãos, o que tivesse de ficar, ficaria.

domingo, 30 de maio de 2010

Querido viajante


Não é do meu hábito dedicar textos, muito menos publicar cartas. Mas também não o era sequer escrevê-los, muito menos terminá-los, e para mim um blog era algo de tão impensável e inadequado a mim como tocar piano, e eu toco no entanto.
Chamar-te pai não encaixa, não me lembro de alguma vez me sentares no teu colo e me contares uma história, ou de me dizeres que não tenho idade para ter namorado, nem sequer de me ralhares ou de me ordenares para arrumar o quarto, chamar-te viajante faz-me sentido, demasiado sentido, quando a tua imagem surge.
És o viajante de corpo e alma, mesmo quando estás e ficas, continuas a sê-lo, sempre o foste.
Estar contigo é parecido a estar sozinha e estar sozinha faz-me sentir contigo de algum modo, porque estar contigo é tão raro e rápido que se torna numa espécie de acontecimento à parte do real, mas quando vais embora continuo a viver cada segundo contigo até voltares. Tu nunca sais de ao pé de mim e eu pensava que nem sequer chegavas a estar, tu estás em tudo o que faço e às vezes nem me lembro que existes.
Querido viajante, tu és assim, voltas sempre a mim e ao meu pensamento. Ensinaste-me a viajar, a ser nómada de alma como tu, a gostar demasiado de desaparecer, mas ensinaste-me, a tal como tu, a voltar sempre a casa. E ensinaste-me a ser tudo do que és que eu não queria ser, ensinaste-me a guardar, ensinaste-me a olhar com os teus olhos de solitário, ensinaste-me a tocar piano, e agora, com a tua ausência, ensinaste-me a escrever também.
Nada disso, nunca, tu me quiseste ensinar, mas tudo isso, desde sempre, me fizeste aprender.

Sei que vais voltar como voltas sempre, mas hoje sinto a falta das tuas palavras que me deixas como sementes e que depois crescem, só passado muito tempo. Tenho saudades de as ouvir sem ser com as interferências das minhas barreiras para contigo ou do maldito satélite que se decide desligar de cinco em cinco segundos. Eu odeio quando me ligas e não atendo, odeio quando atendo e se perde o satélite, odeio quando eu procuro e não estás, e quando tu procuras e eu não estou, odeio quando nos cruzamos num caminho imaginário e nos desencontramos por segundos, odeio quando nunca mais voltas.
Por isso não demores, querido pai, que hoje, eu quero mesmo muito que voltes

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Anoréticos mentais



"Irrita-me a felicidade de todos estes homens que não sabem que são infelizes.[...] Por isto, contudo, amo-os a todos. Meus queridos vegetais!"
Fernando Pessoa



Nunca me tinha apercebido do bem que me fazia escrever, é como falar comigo e nunca deixar aquela fome de interesse em toda a gente a minha volta que tenho sentido chegue realmente a apertar o estômago e a enfraquecer-me.
Mas à medida que o tempo passa, as pessoas circundam-me e falam e fazem coisas que eu já não consigo ver nem ouvir, muito menos querer ver ao querer ouvir. Deixei de ter essa capacidade e isso faz-me querer remodelar-me e ter nascido assim também, uma formiga, que se cruza com as outras, acompanha-as durante momentos, mas nunca consegue ir muito mais além do que gosta de fazer e do que tem de fazer, e nunca, nunca pára um segundo.
Sempre odiei pessoas que julgam outras pessoas, mas ao odiá-las só provo a mim mesma que também as estou a julgar porque elas julgaram alguém e isso leva a ser eu a julgar-me e odiar-me por isso. E é uma seca.
Mas fogo, como é que é possível de toda a gente à minha volta não existirem pessoas?
De toda a gente à minha volta ser tão raro, mas tão raro, uma que saia do cubículo preto e que consiga olhar de fora, de cima, de lado e de frente para o real e o irreal.
São anoréticos mentais e bulímicos verbais. Porque não têm apetite de conhecimento, não existe um minimo de curiosidade e tudo a que lhes resta mentalmente é apenas aparente e enfraquecido, para além de que se olham ao espelho e vêm a falsa imagem de robustos.
E bulímicos, porque comem palavras que não chegam a digerir, e vomitam-nas sem as continuar a perceber.
Ou se calhar o problema é mesmo meu e acredito que seja, que gosta de agarrar cada migalha de vida como se fosse a última e procurar restinhos para mim em todos os pratos.

Já ninguém se revolta, ninguém questiona ou procura, já ninguém evolui, talvez nem eu, mas ao menos não podemos dizer que não tentei.
E eu, eu tenho sempre fome, fome de interesse e curiosidade, fome de realidade, fome de pessoas com fome.
(Hoje estou de mau humor, amanhã, isto passa, eu sei que não é o meu género)

domingo, 23 de maio de 2010

Jogos de crianças



"Benditos os que não confiam a vida a ninguém. É nobre ser tímido, ilustre não saber agir, grande não ter jeito para viver." (Bernardo Soares, Fernando pessoa)


Amar é estranho, estranho e estranhamente egoísta. É o egoismo de precisar de alguém, de não aguentar mais não partilhar, não criar raízes, laços, não eternizar aquela estranha fusão de dois mundos que se vão conhecendo e lentamente misturando até se tornarem inseparáveis. Dois caudais que acabam por, durante alguns segundos, correr no mesmo leito mesmo que seja só mesmo, exactamente por alguns segundos.
Às vezes quero muito entranhar-te em mim. que me acompanhasses e eu a ti como duas fadas, duas faces da mesma moeda. Por dentro ouço-te e falo contigo e pensar que era possível estares agora comigo procova um misto de vontade de correr para ti e correr a fugir de ti.
Sempre gostámos de jogar ao toca e foge e é sempre num mar interior que o rio da minha vida desagua, que o nosso rio desagua em mim, sempre.
Porque desde sempre que me ensinas a sermos dois num só e eu te ensino a sermos dois em cada um de nós, a haver um eu em ti e um ti em mim juntamente com o eu em mim e o tu em ti.

Corro para ti decidida a entregar-te a minha vida, depois de ta dar arranco-ta sempre das mãos, tal como uma criança que oferece um saco de doces ao amigo, e quando este os começa a remexer o arranca das suas mãos e corre para as comer sozinha.
Não somos muito mais do que isso, duas crianças curiosas pelo saco de doces do outro e com uma necessidade de partilharmos o nosso próprio saco de doces. Mas eu tenho a certeza que o que desejamos mesmo é comprar um grande saco e misturar-mos os doces no mesmo saco, sem temermos que o outro devore o nosso, porque confiamos que ele sabe o que lhe pertence, o que não lhe pertence, e o que pertence a ambos.
Tenho saudades dos nossos jogos de criança, vontade de fazer birra. Deixas-me incrivel e impressionantemente mimada e tornas-me uma autêntica criança. No entanto, a criança maior que já existiu.

Pelos olhos de um bocado de céu


Percebe,
"nunca ninguém se perdeu,
tudo é verdade e caminho"
Ninguém que verdadeiramente venceu
o conseguiu fazer sozinho.
Dá sentido e preenche,
procura sentido,colore,
enche,enche, enche.
Inspira e expira a inspiração.
Enche com mais do que ar cada pulmão.
Sente a vida inteira na palma da tua mão.
Eterniza cada imagem e fotografa a alma agora.
Faz da tua vida livro, filme,
e se quiseres chorar, chora.
Segura o bem com força
para o vento do tempo não o levar,
porque é só a ele que te podes agarrar.
Segura a verdade
porque é só nela que podes acreditar.
Não precisamos de asas
para poder voar.
Não precisamos de alguém a ouvir
para poder falar.
Não é preciso ter sonhos para conseguir sonhar.
Comtempla-te com atenção,
como se não fosses tu a contemplar.
Olha para ti
pelos olhos de um bocado de céu
Diz-me como te verias agora,
se eu fosse tu, e tu eu.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Inalcançabilidade do instante


O ser é algo de tão leve, de tão momentâneo, que o podemos mudar só de nos olharmos ao espelho com outros olhos. Todos temos em nós a capacidade de sermos quem desejarmos e a de deixarmos de o ser quando quisermos. Desde que nascemos que vemos no mundo obras de arte em tudo o que percepcionamos e magia em tudo o que sentimos. Todos os momentos representam por si só as mais fantásticas fotografias, sinfonias, quadros, esculturas, teatros ou todas as obras de arte que os homens constroem para conseguir imortalizar um instante por este ser tão inalcançável. E é essa inalcançabilidade que faz o instante tão precioso, porque é tudo o que temos a cada momento, é aquele instante presente, resultado de todos os instantes anteriores e possuidor de todas as hipóteses de instantes futuros, não existe, de facto, nada mais poderoso.
O instante presente contêm em si toda a arte e magia latente no mundo, e nós imortalizamo-lo ao criar laços, obras de arte, futuros, destinos, crenças, sabedorias, que nos fazem sentir dominadores desse mesmo instante, e criar um mundo à nossa volta.
São precisos biliões de pessoas para construir o mundo circundante à nossa volta, mas apenas duas para construir o mundo mais maravilhoso em que já vivi. Um mundo onde, de facto, nos podemos autodeterminar e através das acções contruirmo-nos a nós e a ele, onde é possível viver no mundo onde queremos existir. E isso pode não parecer muito, mas chega mesmo, garanto, para contruir um mundo bem melhor do que aquele em que nos obrigamos a nós mesmos a viver. A verdadeira liberdade é um ato puramente interior, como a verdadeira solidão: devemos aprender a sentir-nos livres até num cárcere, e a estar sozinhos até no meio da multidão.
Tu, és a minha verdadeira felicidade, porque basta existires para me sentir feliz quando estou de rastos. Somos um instante de vida que não quero perder, porque temos em nós, mais do que o reflexo de tudo o que já passou mas a potencialidade para os melhores instantes do todos. Mais ainda, o vazio presente na tua ausência e o sentido que uma presença pode ter. És impressionante e mais impressionante somos nós porque sabemos que o somos, mesmo que mais ninguém sabe. É a nossa inalcancançabilidade que nos faz continuar.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Silêncio




"Fala se tens palavras mais fortes do que o silêncio, ou então guarda silêncio. Porque a palavra é tempo, o silêncio é eternidade."


Às voltas na cama Camila não conseguia dormir. Ouvia melhor o silêncio de Leonardo dentro da sua cabeça melhor do que todos os ruídos da cidade agitada lá fora, por se encontrar num silêncio tão denso como o do sentimento de estar só mesmo quando não estava.
E era só isso mesmo, o silêncio que ouvia, mesmo quando tentava ouvir música ou ligar a televisão, o silêncio da imagem dele, o silêncio das suas palavras, o silêncio da sua ausência, que insistia tão frequentemente e se ouvia tão continuamente como o ponteiro dos segundos se ouve no relógio.

Numa cascata confusa de pensamentos que se tornara a sua cabeça o dele corria mais fluentemente que todas os outros,fazia dos dias de Camila autênticos campos de batalha em que tentava arranjar força para enfrentar mais um dia normal enquanto se arrastava por dentro aos seus pés. Ela que tão bem sabia ler nas entrelinhas agora tinha só uma enorme folha em branco que a fazia ouvir perguntas mais explosivas que mil respostas.
Sempre que passava no espelho Camila tinha a sensação de ter a pele mais branca e os olhos mais escuros e de que tudo à sua volta se tinha tornado bem mais sombrio porque o vazio da ausência de palavras se tornava num gigante vazio no seu peito até que a imagem de Leonardo lhe surgia de novo. E o pensamento nela virava o mundo ao contrário principalmente quando não sabia o que pensar, a tortura de perguntas fazia-lhe decorar o quanto ele lhe trazia bocados de sol e a sombra que deixava ao partir, e o bem que fazia só por a amar, que a fazia desfazer-se só por saber que talvez um dia e bem mais cedo do que julgava ele podia simplesmente deixar de o fazer.
O tempo arrastava-se e trazia com ele todos os medos e dúvidas que sempre os haviam assombrado e separado. Ela nunca achou que ter medo os dúvidas fosse mau, tem a capacidade de tornar as pessoas autocriticas, menos seguras e menos omnipotentes, e faz delas não só alguém melhor como alguém que depois de o ser continuar a desejar ser melhor ainda.
Mas entre eles as dúvidas sempre foram maiores que as certezas, sobre o que cada um sentia, de como seria se ou de como seria quando, que tornava a distância a percorrer da ilusão à verdade e da dúvida à realidade a mesma que a do medo á coragem.

Camila saíu e foi fumar um cigarro para a varanda, deixar a angustia evaporar-se e esvoaçar como e com o fumo, e passou pelos seus pais. Eles achavam que se amavam, e mantinham um casamento há anos que Camila sabia tão bem como eles que àcerca do qual sempre tiveram dúvidas. O medo de avançar em frente e de não conseguir voltar atrás em algo tão incerto, duvidoso e inconstante como o amor, e ainda mais como o seu amor, fazia-a continuar a recuar constantemente. Agora era tarde demais, recuara demasiado e já não havia milagre que fizesse voltar os instantes perdidos. Porque afinal, não existe tal coisa como o passado ou o futuro, mas existe apenas o instante presente que passa a cada momento e que traz consigo potencialidades para milhões de acções.
Ficou com o cigarro, com a noite e com os pensamentos. Porque enquanto pensava sobre ele não tinha de escrever sobre ele, muito menos para ele, muito menos falar, muito menos falar sobre ele, e muito menos ainda falar com ele.

Quais? Quais eram as suas palavras essenciais? As que restam depois de toda agitação e projectos e realizações? As que esperam que tudo em si se cale para elas se ouvirem? As que talvez ignorava por nunca as teres pensado? As que podem sobreviver quando o grande silêncio se avizinha?
O quê? O que é que restara deles, no final?