"Ser é Escolher-se" Jean Paul Sartre

Não sei se criei este blog para me fazer entender ou apenas para ter algo que me obrigue a terminar os textos que começo. Fico a meio caminho de tudo, mas ao menos, conheço os caminhos que posso seguir se quiser.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Stand for yourself

Sempre que começamos algo, seja o que for: um livro, uma amizade, uma relação, uma banda… temos como ideia basicamente o mesmo, trata-se essencialmente de nós, de uma identidade, de um núcleo de coisas em que acreditamos afincamente das quais achamos inacreditável fazer parte.

Achamos tudo o que sentimos tão único, tão essencial. Tudo o que pensamos tão fresco e novo, que temos de o escrever, temos de o provar, temos de o fazer, temos de o continuar , de o partilhar. Todos nos queremos sentir especiais, e os inícios das coisas, a sua ideia, a sua essência, faz-nos fazer parte de alguma coisa, e fazer parte de alguma coisa faz nos ser mais alguma coisa, e ser mais alguma coisa faz-nos mais especias.

Mas o problema é que depois descobrimos que somos mais um na multidão, que o máximo que conseguimos é mais uma frase bonita, que podemos trabalhar dia e noite, o máximo que conseguiremos é mais um trabalho bem feito, entre os milhões que existem mundo fora. Podemos estudar o resto da nossa vida, que o que saberemos será de outros que o descobriram, nós só o aprendemos, seremos apenas mais uma pessoa que sabe muito. E é daí que é os brilhantes se tornam frustrados, que os génios se tornam doidos, que as crianças se tornam adultos e os adultos se tornam velhos. Porque será fácil sobressair no nosso bairro, mas pelo mundo fora não somos grande espingarda, e o problema é do mundo, é demasiado grande, não podemos ser tão grandes como ele.

É aí que sentimos como tão especial e único se revela ordinário, vulgar, normal, natural. Aliás, disse mal, isso não é o problema, isso é a verdade, é a inevitabilidade. É a realidade, que é uma desmancha prazeres, mas se não fosse, ninguém sonharia porque não valeria a pena, se tudo fosse de facto (e facilmente) possível. Mas,como disse, não é esse o problema. O problema é isso nos fazer desistir, achar que estamos condenados a ser nada de especial, a ser mais um, um no meio da multidão, mais um, na história da humanidade, mais um berço na maternidade e mais uma sepultura no cemitério. Esse é, sim, o verdadeiro problema.

Toda a gente que mete os pés neste carrossel azul e verde já conseguiu alguma coisa e falhou em milhões delas.
Já foi bom em alguma coisa e mau em outra. Até os maiores génios, até mesmo as pessoas que conseguiram destacar-se na multidão de tal forma, de uma forma tão extrema que não só foram um entre os milhões que existiam, como continuam a ser um entre os milhões de todos os que já existiram antes dele, e um entre milhões daqueles que irão existir depois de ele já ter desaparecido. O que é que está mal na nossa cabeça, afinal, para não esperarmos nada de novo já, nenhuma surpresa, nem mesmo por de nós mesmos? De já não acreditarmos em nada inesperado? Para acharmos que o pouco chega?

Como é que é fisicamente possível não pensarmos, ou recusarmo-nos a sentirmo-nos descontentes e insatisfeitos conosco, quando , sinceramente, até o Einstein teve más notas, até Sócrates se sentiu perdido, até Fernando Pessoa se embebedou, até Cristóvão Colombo já se deve ter perdido no meio de tanto mar, até Mozart já levou uma tampa, e até a Marlin Monroe trabalhou numa loja de gelados?

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

To give things up

Maybe we're not supposed to be happy. Maybe gratitude has nothing to do with joy. Maybe being grateful means recognizing what you have for what it is. Appreciating small victories. Admiring the struggle it takes simply to be human. Maybe we're thankful for the familiar things we know. And maybe we're thankful for the things we'll never know. At the end of the day, the fact that we have the courage to still be standing is reason enough to celebrate

Everyone, once in a lifetime, tries harder, sinks deeper.
It’s what we do.
And that’s ok, we are humans, that’s our thing: crossing lines, dangerous lines, taking chances, dangerous chances, swimming deeper, refusing the clearness of the surface and exploring what’s dark, what’s new, what we do not know, what takes our breath away, until we can no longer breathe.
That’s our thing, that’s what we do, and if we didin’t from the beginning, we would still be just monkeys. That’s us, sinking deeper,giving up savety, clearness, giving up happy, simple, easy.
We just give that up, because it’s far too happy, too easy for us, too simple to reach, we know it, we feel it, we’ve seen it, we now how to get it, we just want more than that.
We wish "more", we long to see were else more "more" can lead us and what else more "more" can bring us. And that’s because we constantly believe risky things must always lead to something good, to something more. Something more desirable than good things which can only lead us to their selves, while dangerous things will lead us where we have no clue of , somewhere completely new.
And new it’s our thing, change is our thing, and we can't give that up.
But honestly, we should be careful so that we can know how to return if we need to, when things get way to messy and we realise that if we don't, we may never breathe again.

Porque é que escrevi em inglês mesmo? Espero que não seja mania.

domingo, 14 de novembro de 2010

Desacredita

A lucidez só deve chegar ao limiar da alma. Nas próprias antecâmaras do sentimento é proibido ser explícito.
Sempre achei que o amor era como uma espécies de religião, porque era preciso ser devoto, acreditar, ter fé, e não precisar de certezas absolutas ou explicações racionais.
Tal como na religião, é preciso sonhar,fazer promessas, interiorizar aquela série de verdades das quais não existem provas de existência mas também não existem provas que o neguem. Tal como a religião, é uma vela no escuro, um guia, um barco de salvamento, uma forma de encontrar sentido à nossa vida.
Há quem tenha problemas com fé, com credibilidade, confiança cega e com irracionalidade. Quem goste de perceber, de acreditar porque faz sentido e não porque se precisa, porque é demasiado difícil viver sem acreditar em nada, e a verdade é que quase tudo em que se possa acreditar tem falhas, falta de sentido, em algum ponto e de algum modo, porque nada é perfeito e se algo fosse ninguém seria perfeito o suficiente para o perceber.
Nunca achei que me viesse a apaixonar rapidamente, precisamente por ter esta vontade constante de acreditar em alguma coisa mas incapacidade intrínseca de o fazer, mas sem me dar conta, acabou por me acontecer. Porque mais tarde ou mais cedo na história, acontece sempre algo inexplicável, há quem chame acaso, há quem chame milagre, mas continua a ser inexplicável. E mais tarde ou mais cedo, toda a gente se apaixona de uma forma ou de outra, inexplicavelmente, quer se permitindo fazê-lo ou não, mas toda a gente mais tarde ou mais cedo não consegue evitar acreditar em algo. Porque sem acreditar em nada a vida é escura e sem sentido, sem rédeas, vazia.
Pela mesma razão que nem sempre percebemos o porquê das coisas começarem a existir, também não percebemos o porquê delas acabarem, delas deixarem de dar sentido, luz, rédeas, preenchimento. Também não percebemos porque nem sempre existe razão, e por isso mesmo, por toda essa falta de razão, por toda essa falta de explicação e de ciência, a que nos pudéssemos agarrar e perceber que não existe outra solução sem ser seguir em frente, é que nos sentimos perdidos quando largamos as rédeas, quando se apagam as luzes e a única réstia de luz é a esperança, tão inexplicável e tão sem sentido como a razão da sua existência, mas tão necessária e inevitável como a razão pela qual ela não pode deixar de surgir.
E não está certo guiarmo-nos só pela luz da esperança, nem sequer nos é possível, quando antes estava tudo tão claro como água e agora nem sabemos por onde andamos, nem vemos o que nos rodeia. E nos limitamos a perseguir a luz como insectos só para não nos perdermos por absoluto ou não o admitirmos, e a fugir do escuro até percebermos que as vezes é mais fácil desligar de vez a luz e tentarmos recuperar os nossos sentidos. Porque quando deixamos de ter dentro de nós essa crença, esse sentimento, é como se nos tornássemos inaptos para a vida e perdêssemos o o tacto, o olfacto, a visão, o paladar para o presente e apenas vivêssemos dos sabores e cores do passado pois parecem simplesmente mais vivos.
Como se não houvesse nada mais pelo qual rezar, mais nenhuma razão pela qual acreditar em algo que não existe por muito que deixe por toda a parte sinais de existência que podem ter, no final, outras explicações.
Por isso seguir em frente as vezes não é complicado, é ser ateu, simples, inteligente, racional. É cortar as rédeas, apagar as luzes, desacreditar em algo que, no fundo, continua a fazer sentido sem nunca o ter feito. Seguir em frente é, muitas vezes, deixar a meio, fugir do escuro. Seguir em frente é, muitas vezes, é tapar os ouvidos e o nariz, fechar os olhos e a boca, deixar-se iludir.
Muitas vezes, é pura e simplesmente, fazer batota.
Mas fazer batota, na vida, na maior parte das vezes torna-se a única forma não de ganhar, mas de não perder.