Achamos que percebemos, que temos tudo definido, que sabemos, e partimos do principio que isso é verdade, para agirmos.
Quem não sabe se percebe ou não,quem não tem tudo definido, quem no fundo sabe que ninguém,nem uma única pessoa sabe o que está a fazer (mesmo quando pena que sabe), assusta-se. Tu, assustaste-te.
Podem achar que não sabes o que estás a fazer, mas afinal, ninguem sabe o que está a fazer: o que implica, que consequência terá, apenas age consoante o que lhe parece ser verdade no momento, no meio de tudo o que não pensou,viu, ou percebeu, no meio da vida a continuar e a não nos dar tempo de pensar, ver, e perceber (e ainda bem).
Quando se fala do coração, ainda é menos simples, menos definido, e se há uma coisa que sabemos as duas é que tu não consegues não saber, não ter algo definido, certo, a que te possas agarrar, e essa tua necessidade vem nem de mais nem de menos do que seres,tu mesma tão indefinida, e ser por isso que impões todas essas regras a ti mesma, para não te perderes.
Não admira que os médicos constantemente tentem controlar o coração: medir-lhe a tenção, fazer tudo para o manter estável, calmo, a bater ao ritmo certo. Não admira que andem sempre com o estetoscópio de um lado para o outro para que o possam examinar. O orgão mais impossível de controlar e que mais nos controla no fundo a nós, se este acelera, perdemos-lhe o controle. E mais importante: se este pára, morremos. O mesmo se passa emocionalmente, quando paramos o coração, quando o congelamos, é como se apagássemos, morrêssemos por dentro.
Não são só os médicos, também nós,constantemente,tentamos controlar coração, mantê-lo a um ritmo certo, calmo, previsível. Não é por acaso que quando falamos de emoções se utilize a metáfora do coração: que tão constantemente tentamos controlar, manter estável, drogá-lo e acalmá-lo com o uso da razão, avaliá-lo e analisá-lo, para perceber o que se passa conosco, e que mesmo assim desencadeia em nós tudo o que não esperavamos que fosse desencadeado, com mais controle em nós do que qualquer outra coisa. Mas é o seu pulsar, o que mantêm o sangue a correr nas veias, o que nos faz continuar a respirar, é aquilo que nos mantem, de facto, vivos, física e metafisicamente: é a vida, o seu simbolo, o seu sustento, o seu começo e (quando pára) o seu fim, a qualquer nivel, em qualquer ciscunstância.
Aquilo que não percebemos,é que não lhe temos de todo, controle algum. De algum modo, acaba por vir ao de cima tudo o que tão meticulosamente tentamos esconder de nos mesmos, ou desvalorizar, ou lá está, controlar.
Esquecemos, às vezes, o que nos mantêm reais e parte da verdade que nos rodeia, o que nos faz ser mais do que a humanidade do cérebro, faz-nos ser vivos, parte da natureza e do mundo, e parte de quem verdadeira e inatamente somos.
No fundo, é aquilo que nos liberta.
Nunca o deixes parar de bater, nunca te aprisiones, nunca desistas daquilo em que mais acreditas, nunca deixes essa parte de ti morrer até que ela chega ao fim.
Nunca, nunca, nunca, deixes de ouvir o coração, até que,simplesmente, ele pare de bater.
Que seja desta, que vires a página e comeces numa folha em branco, com tudo o que não esqueceste, sem tudo o que se tem de esquecer, que seja desta que se chegue ao fim do dia e tão bom como vivê-lo como recordá-lo, e como pensar no futuro. Tão cheio de sonhos, tão cheio de possibilidades, os teus sonhos, as tuas possibilidades, e aquilo que tens, e aquilo que não queres perder, e aquilo que irás largar, e principalmente, aquilo que te tens vindo a tornar.
Por muitas que sejam as expectativas, as esperanças, e as oportunidades que venhas a ter, talvez seja esta a mais importante, porque esta parte de ti, vale ouro,não a deixes ir, não agora.
Agarra-a, continua-a dentro de ti, guarda-a.
Adoro-te
quarta-feira, 4 de maio de 2011
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eu amo você
ResponderEliminar"Não é por acaso que quando falamos de emoções se utilize a metáfora do coração: que tão constantemente tentamos controlar, manter estável, drogá-lo e acalmá-lo com o uso da razão, avaliá-lo e analisá-lo, para perceber o que se passa conosco, e que mesmo assim desencadeia em nós tudo o que não esperavamos que fosse desencadeado, com mais controle em nós do que qualquer outra coisa." perfeito meu amor
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