"Ser é Escolher-se" Jean Paul Sartre

Não sei se criei este blog para me fazer entender ou apenas para ter algo que me obrigue a terminar os textos que começo. Fico a meio caminho de tudo, mas ao menos, conheço os caminhos que posso seguir se quiser.

sábado, 5 de junho de 2010

A arte que é viver


Nunca a dança teve tanto significado

As obras de arte são uma infinita solidão: nada as pode alcançar tão pouco quanto a crítica


Tudo depende da forma como olhamos para esse tudo e do modo como o tentamos marcar. Afinal, é só isso que queremos e tentamos, marcar, eternizar, fazer valer a pena. Não só beber a vida de um trago e ver o que ela nos trás. Por muito que queiramos viver assim, por muito que procuremos isso e nos enganemos a nós mesmos, não faz parte de nós. Porque somos assim, não somos animais (ás vezes antes fôssemos) e sabemos que houve um passado, que ocorre um presente, e que a ele se segue um futuro. Tentamos marcar o nosso presente, todos tentamos, não vale a pena negá-lo, com atitudes, expressões faciais ou corporais, palavras, acções, e depois e a um nivel diferente, música, dança, cores, formas, diferentes tipo de arte que se ultrapassam umas às outras e interligam, quando a arte quotidiana se torna insuficiente, na obra de arte que, afinal, é a vida de cada um.
Trata-se apenas de um momento fotográfico. Ao fotografar estamos inclusivamente dentro do momento, até que pressionamos o botão e, aí, somos elevados a algo tão alto que nos exteriorizamos do mundo e do presente, deixamos de pertencer ao momento e deixamos de ser “nós, ali, assim”. E a forma como vemos tudo, muda. É o que acontece quando pensamos. Estamos no mundo e no momento presente da nossa vida, e a partir do momento em que refletimos, em eu começamos a pensar somos sugados desse momento presente e levados para um mundo interior e paralelo, observador, desprovido de tempo, de futuro e passado, desprovido de nós mesmo, desprovido de vida provido apenas de um apego ao verdadeiro.
Depois de terminada, resta sempre algo da obra de arte que foi a nossa vida, e contém nela toda uma possibilidade de interpretações, recordações, emoções e experiências estéticas a quem a observar.
Viver, essa sim, é a verdadeira obra de arte, na suprema obra de arte que é a vida humana. O animal representa o instinto, a sociedade o homem, o intelecto a arte.
Falar é arte, sorrir é are, andar é arte, sentir é arte, comer é arte, porque é tudo demasiado belo para ser só nada.
Quem somos nós para criticar alguém? Para julgar a sua arte? Quem somos nós para calcular o seu valor ou significado se não existem vidas com mais valor do que outras? Porque dentro de cada um, reside o valor dela, mesmo que não o percebamos, mesmo que não seja o nosso.
As obras de arte são reflexos de uma parte do artista, as palavras são reflexo de uma parte do nosso pensamento, a vida é apenas um reflexo daquilo que realmente somos.

Se eu não odiasse teorias esta era a minha

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