"Ser é Escolher-se" Jean Paul Sartre

Não sei se criei este blog para me fazer entender ou apenas para ter algo que me obrigue a terminar os textos que começo. Fico a meio caminho de tudo, mas ao menos, conheço os caminhos que posso seguir se quiser.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Não cabe


Tenho neste momento tantos pensamentos fundamentais, tantas coisas verdadeiramente metafísicas para dizer, que me canso de repente, e decido não escrever mais, não pensar mais, mas deixar que a febre de dizer me dê sono, e eu faça festas, como a um gato, a tudo quanto poderia ter dito. Fernando Pessoa (Bernardo Soares)

Às vezes o mundo explode, o universo parece condensar-se na minha cabeça e apetece-me passar tudo para uma disquete e ver tudo depois, como que relendo. Dói-me a cabeça, dõe-me as palavras, a necessidade delas, e a sua insuficiência. Dói-me a vida e o que poderia fazer dela. Dói-me o mundo e o que estão a fazer dele. Apetece esterealizar-me, desinfectar-me de consciência, limpar-me de verdade e despir-me da curiosidade que me mantêm tão acordada para o mundo mas tão distante dele.
A necessidade de justificação, e a estranha sensação de perceber o universo,a vida, e o homem como se percebe um problema de matemática, a pouca duração dela. Será que todos conhecemos essa sensação? Será por termos inscritas em nós as leis do universo? Se estão na natureza, se estão em toda a extensão cósmica, também haverão de estar inscritas no nosso pensamento e consciência. Afinal, tudo evolui segundo leis do mais simples para o mais complexo e por isso é que evoluimos dos macacos, mas regimo-nos pelas mesmas leis.
Os átomos juntam-se para formar algo maior, nós também, as plantas respiram, nós tambem, os animais reproduzem-se, nós tambem, mas nós evoluimos e fomos dotados de ter consciência disso.
Mais complexidade, mesmas leis. Todo o pensamento, ciência ou religião nunca pode ser mero acaso, apenas e talvez uma interpretação mais dissimulada. Mas a evolução continua, caminhamos para a total consciência de nós mesmos e da Humanidade, e afinal, deve ser esse objectivo dessas leis. O nosso papel é descobri-las, tenha sido deus ou o que for do que surgiu este tudo tão imenso. Dotando-nos de consciência, também nos inscreveu obstáculos, o facto de sermos todos distintos e únicos, que nos faz ter a necessidade de primeiro descobrir a nossa existência e essência e só depois (e raramente) nos lembrarmos de que existe algo que é comum a todos os seres Humanos,independentemente de existirem ou não, sem espaço, tempo, ou sujeito, a Humanidade em si.
O animais nascem completos, biologicamente, sem mais nenhuma componente a preencher. Nós nascemos com muito por preencher, e habituámos a preenche-lo com aprendizagens de todos os géneros. Depois precisamos de uma orientação, de um sentido, para não nos preenchermos de qualquer forma. Com medo de tudo o que poderemos estar a perder tentamos manter coisas, pessoas, relacionamentos, e isso preenche-nos. Temos o sentido por garantido? Não. O sentido da vida acaba por ser procurar o sentido da vida. É essa sensação de insatisfação crónica no dia-a-dia que nos faz procurar conhecimento, produzia arte, desenvolvimento. O que se passa? Porque é que já ninguém está insatiseito? Queremos e desejamos ser únicos, marcar, daí surge a violência, marcamos as nossas diferenças, uns dos outros e da restante da natureza da forma errada. Sermos diferentes não significa que não façamos parte do mesmo. Onde está a globalização no que realmente importa?
Exacto, temos em nós a verdade do mundo, e este é uma fonte absolutamente inesgotável de algo a fazer. Porque é que nos limitamos a fazer sempre o mesmo?
Às vezes pergunto: mas o que é que passou pela cabeça do primeiro primata que se decidiu levantar e olhar o mundo de uma perspectiva totalmente diferente e mais elevada?
O cérebro é muito parecido para todos e o mais estranho é que todos funcionamos de forma parecida. Ninguém passa um milésimo de segundo sem pensar, sem fazer uma leitura astronómica da memória de toda a sua vida, mesmo quando não dá por isso e até a sonhar.
Sabemos que para além das leis físicas, da gravidade e velocidade, têm de existir leis metafísicas, leis da emoção e do pensamento que se mantenham inalteráveis tal como às outras. Jesus Cristo, Sócrates, Einstein, Buda? São só interpretações mais profundas, como pequenas experiênciasm, que nos enriquecem de forma incalculável.
Estou amuada por não saber nada, quero fazer birra com o universo e com a ideia fantástica de nos pôr num mundo e de nos obrigar a morrer sem nos dar tempo de o descobrir totalmente. Desmancha prazeres.

Sem comentários:

Enviar um comentário