Sempre foste a pessoa sobre e a quem quis escrever. Nunca consegui escrever sobre ti porque é mais fácil escrever do passado, do futuro, de algo que não pertence ao momento presente. Tu estás sempre presente, tanto que ás vezes já nem reparo que estás, como a minha luz de presença, que nunca deixa o quarto escuro e que não me deixa perder dentro dele. Não me resta espaço para fingir perante ti, aí é fácil ver perfeitamente bem o que e quem sou. A tua voz deixa-me um rasto que sigo e que se torna a minha voz também sem eu dar conta.
É próprio de mim, nunca fui capaz de ouvir ninguém, sempre pensei que só eu e que sabia, que so eu me conhecia. Mas de alguma forma as vozes ecoam na minha cabeça e mesmo que não as ouça na altura ouço-as depois, só que por vezes se tornam tantas que já não sei qual me pertence.
A tua destaca-se e sobrepõem-se, mais clara que todas, porque é a voz que eu escolho. A tua é a única que, de alguma forma, se funde com a minha voz e a vai afinando, melhorando, aperfeiçoando, e fazendo gostar dela. Porque até mesmo em silêncio me vais ensinando a como ser alguém melhor. Gosto de ti e da ideia de ti, tudo o que tu implicas e até o que fazes, mesmo os teus erros. Não tens propriamente sorte, talvez eu tenha mais. Mas é por isso que és tão melhor do que eu.
Imagina um mundo onde tinhas exactamente tudo o que querias.
Agora imagina-te a viver nele por um dia, dois dias, e para sempre. Os dias seguirse-iam iguais.Não havia aquele q.b. de frustação e de obrigação de realismo que torna o sonho tão doce. Não havia sonhos. Sonho é a nossa resposta à dificuldade. Foi essa dificuldade que te tornou os sonhos tão simples de concretizar, e talvez a mesma falta de dificuldade que me fez sonhar demais.
É a tua concepção de vida.
E toda a gente tem a sua concepção de vida mas ninguém acredita piamente nela.
Para um pintor a vida, não é uma linha traçada com uma régua, direita e pela qual devemos andar. É só uma grande folha em branco, na qual vamos traçando uma linha curva e contínua, sempre influenciada pelo que já traçámos e não podemos apagar, sempre e que inlfuenciará a estraçada traçada em papel que a nossa vida será. Em cada troço de vida imeninte sempre toda a vida que lhe está latente, todas as sensações, medos, esperanças e fantasias em cada segundo de vida e mesmo naquele em que dormimos.
Para alguém que passeia nos bosques a vida é isso mesmo, um bosque, de beleza profunda na qual raramente temos tempo para reparar, e quando reparamos, concentramo-nos nos caminhos a seguir, que podem ser milhares e somos nós que os escolhemos, e eles bifurcam-se, e entrelaçam-se e nunca saberemos onde é que vão dar. Por vezes nem têm saída e é necessário trepar e escalar para encontrar um novo trilho. Às vezes os mais pequenos e acidentados conduzem aos melhores sitíos, a grande clareiras. Mas por esses ninguém vai, toda a gente vai pelos caminhos mais largos por haver mais gente a ter neles caminhado, seguros, mas só conduzem aos sítios onde já alguém foi.
Mas no momento a seguir, existe sempre uma pressão constante a querer abrir-nos os olhose que nos obriga a traçar linha, a dar o passo. E é isso que consegues sempre.
Mas tu não queres saber, tu gostas de fazer coisas, ou descobrir coisas, ou acreditar em coisas, ajudar pessoas com coisas. É por isso que nos ajudamos uns aos outros e é por isso que a ciência não é mais que outra religião, a única que se vai modificando, mas que nem por isso deixa de seguir dogmas, leis, padrões, que caso questiona, se perde. Porque é tudo para nos preencher, e tu fazes isso a toda a hora, preencher coisas, preencher-te com coisas. Coisas boas, coisas que valem a pena. Coisas tuas.
E as tuas coisas mãe, são as minha preferidas, as que me tornam quem eu sou, as que não dispenso, as que admiro, as que eu sei que nuncavou esquecer, porque são muito mais que coisas.
Obrigada

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