"Ser é Escolher-se" Jean Paul Sartre

Não sei se criei este blog para me fazer entender ou apenas para ter algo que me obrigue a terminar os textos que começo. Fico a meio caminho de tudo, mas ao menos, conheço os caminhos que posso seguir se quiser.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Anoréticos mentais



"Irrita-me a felicidade de todos estes homens que não sabem que são infelizes.[...] Por isto, contudo, amo-os a todos. Meus queridos vegetais!"
Fernando Pessoa



Nunca me tinha apercebido do bem que me fazia escrever, é como falar comigo e nunca deixar aquela fome de interesse em toda a gente a minha volta que tenho sentido chegue realmente a apertar o estômago e a enfraquecer-me.
Mas à medida que o tempo passa, as pessoas circundam-me e falam e fazem coisas que eu já não consigo ver nem ouvir, muito menos querer ver ao querer ouvir. Deixei de ter essa capacidade e isso faz-me querer remodelar-me e ter nascido assim também, uma formiga, que se cruza com as outras, acompanha-as durante momentos, mas nunca consegue ir muito mais além do que gosta de fazer e do que tem de fazer, e nunca, nunca pára um segundo.
Sempre odiei pessoas que julgam outras pessoas, mas ao odiá-las só provo a mim mesma que também as estou a julgar porque elas julgaram alguém e isso leva a ser eu a julgar-me e odiar-me por isso. E é uma seca.
Mas fogo, como é que é possível de toda a gente à minha volta não existirem pessoas?
De toda a gente à minha volta ser tão raro, mas tão raro, uma que saia do cubículo preto e que consiga olhar de fora, de cima, de lado e de frente para o real e o irreal.
São anoréticos mentais e bulímicos verbais. Porque não têm apetite de conhecimento, não existe um minimo de curiosidade e tudo a que lhes resta mentalmente é apenas aparente e enfraquecido, para além de que se olham ao espelho e vêm a falsa imagem de robustos.
E bulímicos, porque comem palavras que não chegam a digerir, e vomitam-nas sem as continuar a perceber.
Ou se calhar o problema é mesmo meu e acredito que seja, que gosta de agarrar cada migalha de vida como se fosse a última e procurar restinhos para mim em todos os pratos.

Já ninguém se revolta, ninguém questiona ou procura, já ninguém evolui, talvez nem eu, mas ao menos não podemos dizer que não tentei.
E eu, eu tenho sempre fome, fome de interesse e curiosidade, fome de realidade, fome de pessoas com fome.
(Hoje estou de mau humor, amanhã, isto passa, eu sei que não é o meu género)

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