
Se me perguntassem onde queria viver, respondia que gostava de viver em ti, como um fastama invisível ao teu pensamento que vivia rodeado de ti e do teu mundo sem te aperceberes. Viver em ti seria como viver no mar. O mar, espaço infinito de invejável solidão e independência, de insistente tentativa de alcançar o mundo inteiro, de engolir toda a terra. Com o pulsar das ondas pulsam os pensamentos e no seu rugir o bater do coração. O mar, tu, o meu mar, muda, com as marés, fases e ondas, mas a sua água é sempre salgada, é sempre a mesma água, a mesma água salgada pelas lágrimas a mesma água pura e límpida como cristal. Viver em ti seria isso mesmo, viver no mar, de tal forma envolvente que ao molhar os pés à beira-mar já sinto fazer parte integrante do oceano, como que se puxasse por mim, como se fosse eu também mais uma gota de água. Sou facilmente controlada pelo mar ( e facilmente controlada por ti) e mesmo quando os dedos engelham e enfraqueço de frio, recuso-me a sair dele, de toda aquela beleza e perfeição de que sentimos fazer parte, eu e o mar ( e eu e tu), como se o tempo e o mundo esperassem por nós e deixasse que apenas existesse nele as ondas, o silêncio do seu rugir e das nossas palavras. Nunca sei onde o mar me leva, e isso às vezes faz-me voltar a terra por medo, só existe o seu movimento perpétuo, a sua instabilidade, mas apesar disso a sua profunda lei que se mantêm inalterável ao longos dos anos. A sua verdade.
Vivemos nisso mesmo, no dia a dia em terra, mas quando juntos, num oceano do qual desconhcemos limites do qual temos um medo gigante de nos afundar.
Mas ao longo deste tempo todo, já provámos que nos salvamos sempre mutuamente.
Figuradamente, parecemos duas metades de uma bola, duas metades cheias de falhas e buracos com a forma do outro, que no fim encaixam na perfeição e formam uma bola gigante e oca, segura, que armazena a vida de cada um de nós e a vida que partilhamos também. Separados, somos duas metades esfarrapadas, que deixam a vida escorrer entre as falhas, o tempo escoar as lembranças e aquilo que somos, facilmente arrastadas pelas tempestades do mundo exterior. Separados ,perdemos a capacidade de rebolar vida adentro, perdemos aquele espaço oco em que podemos contar com tudo o que temos e ao qual podemos acrescentar todos os dias algo novo, em que nada nos escapa. Perdemos a nossa imunidade, a nossa força, a nossa realidade.

ai eu amo-te tanto
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