"Ser é Escolher-se" Jean Paul Sartre

Não sei se criei este blog para me fazer entender ou apenas para ter algo que me obrigue a terminar os textos que começo. Fico a meio caminho de tudo, mas ao menos, conheço os caminhos que posso seguir se quiser.

terça-feira, 30 de março de 2010

Às vezes, custa sair de casa.


A minha cabeça é um radar autentico em busca de alguma coisa que se identifique comigo. Acho que funciona demais. Não pára um segundo. Serei original nisso? Pergunto-me muitas vezes o que é que os outros estarão a pensar, para onde estarão a olhar, o que planeiam, não por ter medo que me julguem, mas porque eu me estou a julgar. Tenho demasiado medo de fazer as coisas mal, demasiado medo de estar a desperdiçar tempo, de estar a deixar a fugir oportunidades preciosas.

Afinal:

"Não nos podemos banhar duas vezes no mesmo rio, à segunda vez, tanto nós como o rio estaremos mudados"
E uma oportunidade perdida vai sê-lo, para sempre.

Somos humanos e é essa a ideia. Pensarmos que estamos a fazer tudo bem, mas estarmos a fazer tudo mal, para depois percebermos que estávamos e chegar a um ponto que quem for minimamente esperto já nem fica irritado de ter feito as coisas mal, limita-se a mudar de estratégia. Para depois essa estar errada e chegarmos ao fim da vida sem ter encontrado o que era mesmo certo.

Porque não existe tal coisa: o certo.

Por isso a ideia da vida é passá-la a perseguir algo que no fundo temos noção que não existe, é procurar o que no momento, nos faz acreditar que afinal ele até existe. É o que no momento, nos faz felizes. E estar feliz não é rir à gargalhada, estar feliz é acordar de manhã e saltar da cama com vontade de começar a viver aquele dia, é deitar-se de noite e saber que o dia não podia ter sido melhor, que quer adormecer e pensar que amanhã vai viver o dia dessa forma, que amanhã vai ser feliz.

A ideia da vida é a que quer que seja que sirva para nos iludir no momento, é procurar e amar essa real e essencial ilusão de sentido na sua verdadeira essência. Para o conseguir só tem que se construir uma fortaleza poderosa dentro de nós, em que nos mantenhamos lá firmes, onde permanceça a nossa própria essência, e para que as ilusões de sentido possam ir e voltar sem nos consumir, mas só fazendo-nos crescer.

Às vezes acordo assim, detesto teorias, palavras, regras, números, normas e leis. Às vezes acordo com vontade de sentir a chuva na minha pele, escrever sem ter medo de que as minhas palavras não tenham valor, tocar notas que nunca tiveram significado para mim mas têm naquela manhã. Fazer as malas e embarcar para bem longe onde ninguém me conheça. Às vezes apetece-me entrar em coma da vida no mundo real, e viver apenas da imaginação. Às vezes, custa sair de casa. Sair do nosso próprio mundo, vestir o casaco, olhar ao espelho, pôr o perfume e a base, calçar as botas. E pronto, a partir do momento em que saímos daquela porta, há olhares, e cada olhar esconde outro mundo, outro alguém que saiu do seu mundo, e que constrói o que acredita ser o nosso dentro do seu. Julga-nos. E faz desse nosso mundo o que quiser dentro de si. Às vezes não me sinto pronta. Às vezes, custa sair de casa.

Sem comentários:

Enviar um comentário