segunda-feira, 29 de março de 2010
Porquê um blog?
Naqueles dias em que não se sai de casa mas se viaja muito mais do que em qualquer "interail", em que se viaja pelos trilhos do pensamento, das idéias, das memórias. Naqueles em que em vez de se viver o presente, o avaliamos, em vez de esquecer o passado, o relembramos, em vez de decidir o futuro, o questionamos, que em vez de acordarmos, sonhamos. É nesses dias que nos perguntamos o que somos afinal, nesses dias em que vivemos no nosso primeiro mundo, não o real, mas o nosso próprio mundo, tão rico e obscuro como o real, mas apenas mais desvalorizado. Como uma casa gigante, com grandes janelas para o exterior. Há quem passe o tempo à janela sem olhar para a sua própria casa. Há tambem quem feche as suas cortinas. Eu tenho as minhas janelas bem abertas, para que o sol de lá de fora entre e a ilumine o meu mundo, a minha casa, para que o frio entre tambem no inverno. Mas não só, para que tambem eu, de dentro da minha casa, atire pedaços de mim para o exterior, sejam estes notas de música que soam no piano, melodias cantadas, palavras escritas, os lágrimas derramadas. Por estas janelas para a alma (para a nossa casa) que os olhos são. Naqueles dias, em dias como hoje, fecho a janela e corro as cortinas, fico comigo de forma a que só eu me possa ver e julgar, exploro o meu mundo com coragem e curiosidade, desvendo mistérios e resolvo enigmas. Neste mundo que pessoas atiraram através da janela pedaços delas próprias também. Depois, mais tarde, abro a janela para contemplar a minha vida real, para poder gritar à janela o que se passa cá dentro, para que alguém que tenha a janela aberta, possa recolher pedaços do meu mundo para o seu. Em dias assim, como hoje, decido escrever num blog.
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