"Ser é Escolher-se" Jean Paul Sartre

Não sei se criei este blog para me fazer entender ou apenas para ter algo que me obrigue a terminar os textos que começo. Fico a meio caminho de tudo, mas ao menos, conheço os caminhos que posso seguir se quiser.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Todos somos mulans



"Look at me
You may think you see
Who I really am
But you'll never know me
Every day
It's as if I play a part
Now I see
If I wear a mask
I can fool the world
But I cannot fool my heart

Who is that girl I see
Staring straight back at me?
Why is my reflexion someone I don't know?
Somehow I cannot hide, who I am, though I've tried
When will my reflexion show who I am inside?"


Acho que a certa altura, todos nos fartamos de seguir padrões, todos nos questionamos quem somos, todos nos olhamos ao espelho e sentimos que não conhecemos a pessoa que nos olhar, inalterável, do outro lado (ao menos, ela está sempre lá, ao contrário da maior parte das outras pessoas). Todos quebramos regras, todos tentamos procurar sentido às coisas. Todos ou quase todos, tentamos fazer o que está certo, nem que seja pela armadura de outra pessoa, ou por outra pessoa, como fez mulan. E depois, talvez depois de tentarmos passar por alguém que não somos, descobrimos, sem querer quem somos. Se a vida tem sentido? Não. Se isso quer dizer que não vale a pena viver? Opá então matem-se já.
Se nada tem sentido, de onde vêm todos os sonhos? E porque é que temos emoções? Porque é que há pessoas que gostam de carros e outras de cinema? Os cientistas dizem que é tudo causado por químicos. Se for, devemos não seguir os nossos químicos que produziram outros químicos que pelo menos nos dão a ilusão de que somos os estamos felizes? Por ilusório que seja, gostamos de estar felizes, a sensação é de certo melhor do que a de não estar. Então talvez a ideia seja tentar que ela se prolongue o máximo tempo possível, construindo aquilo a que gostamos de chamar personalidade, ou carreira, ou relação, ou rotina, ou seja o que for, a verdade é que todos passamos por pelo menos uma dessas uma vez na vida, pela fase que eu gosto de chamar a fase mulan. Não acredito que haja ningum lá em cima, mas então, porque é que o inventámos? Serão todas as nossas invenções uma simplificação de algo que se passa no nosso cérebro que desconhecemos na totalidade?
E como a vida não tem sentido, ou se tiver não o vamos descobobrir, ou se o descobrir-mos não vamos saber se é verdadeiro ou não, o melhor é tentarmos urgentemente arranjar forma de nos enganar-mos ou vamos dar ou em vagabundos, ou em loucos, ou em, suicidas, ou em velhos rabugentos, e isso chama-se viver, palavra que para mim tem dois caminhos: fazer e sonhar.
No palco da vida, somos actores sem guião mas com muitas personagens. Só depois de experimentarmos todas essas personagens percebemos quem e como é o actor.
Se morremos sem perceber, não faz mal, desde que a peça tenha valido a pena



Carolina jorge, para ti, Joana Lemos.

1 comentário: