
When words leave off, music begins.
Sou mesmo assim, há fases em que gosto do amanhecer e outras em que gosto do pôr do sol, quando começa o dia, e quando começa a noite. Fases em que gosto do brilho do sol que me infiltra o olhar, gosto da esperança, gosto de saber que o meu dia acabou de começar e está à minha espera para eu lhe dar sentido. Fases em que acho que cada segundo é uma oportunidade única e eu quero estar cá fora para as aproveitar a todas. Outras fases prefiro quando o sol se põe e me anuncia que tenho de ir para casa, e anseio por esse doce momento, em que fico sozinha com o meu mundo e pensamentos, fases em que prefiro acreditar que nem sempre o que fazemos determina aquilo que temos, assim como nem sempre o que temos determina aquilo que somos. Fases em que chego à conclusão que a vida é isso mesmo, é a nossa vida, que não pertence a mais ninguém, e não é igual à de ninguém, não tem livro de instruções e não fazemos a mínima do que é suposto fazer com ela, é a coisa mais esquesita, curta, inútil e estúpida, mas é nossa, e podemos fazer com ela o que quisermos, podemos amanhecer quando quisermos e anoitecer quando estivermos cansados, porque nunca se deixa de viver, nem a dormir.
Gosto de ver o amanhecer, gosto dos dias em que quando acordo a primeira coisa que faço é abrir a janela e deixar que o sol enfrente os meus olhos, gosto de olhar para a avenida do 10º andar, faz-me sentir maior.
"Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu..."

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