
"Escrever é ter a companhia do outro que escreve"- Vigílio Ferreira
Apetece-me escrever, deixar fluir os pensamentos, sem pensar sequer no que estou a escrever. Sempre que penso formo uma autoestrada, onde circulam palavras a alta velocidade.Preciso de as formalizar, preciso de as abrandar, ou elas vão acabar por chocar umas contra as outras aumentando a confusão.
Resumindo, preciso de apanhar palavras, preciso de escrever. As palavras, que tentam traduzir cada emoção, sentimento, impulso, lágrima e sorriso. As palavras, são o mero passaporte que nos possibilita viajarmos no outro, e ele viajar em nós, e até nós em nós mesmos, mas não um bilhete garantido.
Quando nos ultrapassamos fisicamente, esforçamos os músculos e pelos poros escorre suor, então, as lágrimas são o suor do coração, e as palavras o suor do pensamentoMas as palavras fogem-me e sem palavras não há ideias, sem palavras não se escreve, e sem palavras não se pensa.
Descasquei o meu pensamento como a uma laranja. Que depois daquela casca rugosa e desagradável se apresenta em gomos bem sumarentos, de sabor amargo e doce ao mesmo tempo, que apresenta o fruto mais rico a todos os niveis mas aquele no qual ningué repara. Bem no centro, essa laranja possui sementes com as quais poderíamos plantar um laranjal inteiro, mas se lhe dissessemos isso ela nunca acreditaria.
Ninguém é estúpido o suficiente como eu para chegar ao ponto de desperdiçar tempo a falar sobre laranjas, muito menos compará-las com o que quer que seja. Mas eu fui e era mesmo disso que estava a precisar. Abençoada laranja.

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