Vou-te confessar que, em dias como hoje subo ao 11º andar, subo as escadinhas para a casa das máquinas do elevador. Reparaste que tem uma janelinha, bem pequenina, mesmo entre o elevador e as escadas? Reparaste que à noite deixa aquelas escadas com um brilho encantador semelhante à luz de uma vela e que de dia as deixa azuladas como um quarto de um bébe?
Eu nunca tinha reparado, normalmente, estava demasiado concentrada em ti, mas hoje reparei.
Como é que um lugar como aquele me podia ser tão encantador?
Lembrei-me de todas as lágrimas derramadas ali, lembrei-me de todas as conversas, lembrei-me dos milhares de vezes que subimos àquele andar e do que aquelas paredes branco-sujo contariam se pudessem falar.
Em segredo, pedi-lhes que me contassem, e fiquei ali a ouvi-las, a ouvir-nos.
E baixinho, prometi-lhes que sempre que sentisse a tua falta como hoje iria lá e elas perguntaram-me se farias o mesmo, eu respondi-lhes que gostava que sim (quem sabe um dia encontrarmo-nos lá).
Com a chave desenhei na parede os nosso nomes, mas estes não ficaram marcados, não é preciso estarem, estão dentro de nós. Nós sabemos o quanto aquele lugar nos pertence, sabemos que é nosso terrirório.
Ah e garanto, nunca aquele lugar irá ter tanto significado para mais ninguém
Não te atrevas a pensar que me esqueci de ti, não o voltes a dizer.

Sem comentários:
Enviar um comentário